segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A distância


A distância que desponta
Não aponta
Os apertos que a saudade provoca
No coração que ela sufoca.


Os olhares que perto não se veem
Não traduzem a vontade de te ter
Pertinho de mim, meu bem querer


Os sentidos que não se tocam fisicamente,
Que não se cheiram,
Que não se tateiam,
Deixam traduzir pela mente
O que o coração deveras sente
Sentimentos intensos, ardentes.


Mas a distância,
Essa incongruente via,
Não permite os abraços,
Os beijos, os sorrisos de amor inebriados ...
A distância que teima
E o peito palpita, queima,
Mas não distancia!

Isaías Ehrich

Foto: Kilson Pinheiro

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Receita para um bom estudo

Ingredientes:

1 lápis
1 caneta
1 borracha
1 caderno
1 pitada de atenção
1 porção de estudo extra
1 dúzia de insistência
2 xícaras de tira-dúvidas
1 desejo de boa sorte

Modo de fazer

          Durante a aula, pegue o lápis ou a caneta e anote todas as dicas escritas no quadro em seu caderno. Use a pitada de atenção e anote também outras informações importantes na hora da explicação.
          Em casa, reserve um tempo para estudo extra e use a borracha para apagar erros ou aquela letra estilo garrancheira de quando você faz quando escreve às pressas ou com preguiça. Use a dúzia de insistência para aprender e não desista!
          Anote no caderno todas as dúvidas que tiver e capriche na letra! Afinal, letra mal feita merece ser refeita. Para isso, use a borracha, o caderno e a caneta ou o lápis.
         Na próxima aula, use as duas xícaras de tira-dúvidas com o professor (ou professora). Lembre-se da insistência, caso a dúvida permaneça e capriche no estudo extra novamente!
          Use essa receita no seu dia a dia e terá um bom estudo. Restando apenas a certeza de que aprenderá nova lição a cada aula e, por fim, um desejo de boa sorte!


Isaías Ehrich

A Lição de Sofia

          Sofia era uma coruja muito esperta e dedicada a sua família. Cuidava do seu ninho com esmero e não deixava faltar nada. Possuía duas filhas: duas corujas lindas e barulhentas.

          Certo dia, Bole-com-tudo, um sagui sapeca, foi mexer no ninho de Sofia. Chegando ao local, ele começou a desarrumar os fios de galhos que, minuciosamente, a coruja trançou para erguer o seu lar. Jogava fora restos da ornamentação que Sofia fizera para deixar o ninho, mas bonito e espalhava folhas de galhos próximos dentro do ninho, sujando todo o recinto. As duas filhas da ave gritavam por socorro e alardearam toda a vizinhança.
          Os pássaros vizinhos voaram até o ninho da coruja para ver o que estava acontecendo e, ao presenciarem tal cena, ficaram chocados.
          _ Como pode um animal ser tão perverso, dizia a Viana!
          _ Um ser medonho como esse merecia ser bicado até a morte, bradava o Periquito.
          _ Vamos segurá-lo e dar-lhe uma surra, falava o Papagaio ao Gavião.
          Todas as outras aves, muito falavam, mas nada faziam.
          Chegando em seu lar, vendo o destroço de seu ninho, a coruja chorou muito e ficou muito triste.
          _ Sofia, em prantos, dizia: e agora, o que será dos meus filhotes? Ficarão sem um ninho aconchegante para habitarem. Que lástima! Que tristeza!
          _ Calma, Dona Sofia. As coisas se resolverão. Não fique triste, ponderava o velho Gavião.
          _ Se eu fosse a senhora, iria à toca onde ele mora e daria uma surra nele, bradava o Papagaio.
          _ Eu tocaria fogo na casa dele, maquinava a Viana.
          _Não deixe isso passar em vão, Dona Sofia! Aquele macaquinho merece uma lição – instigava o Periquito.
          Sofia afastou-se das outras aves, acalmou-se mais, refletiu e disse:
          _ Tomei uma decisão: irei à casa de Bole-com-tudo!
          _ Êêêêêêêê! Vibravam os pássaros, certos de que presenciariam um espetáculo de violência.
          Chegando à casa do sagui, Sofia ficou cara a cara com o mesmo e ele, inerte, apenas a olhava desconfiado e com ares de que estava pronto para fugir.
          Olhando fixamente para o sagui, a coruja disse a ele firmemente:
          _ Bole-com-tudo, você foi hoje ao meu ninho e destruiu-o. Causou-me enorme tristeza, além de assustar muito os meus filhotes. Por que você fez isso?
         O sagui, com a voz trêmula, respondeu que fez toda a bagunça por diversão.
         A coruja expressando raiva, disse ao sagui:
         _Eu poderia destruir a sua casa, agredi-lo, fazer diversas atrocidades em vingança ao que você fez com meu ninho. Mas... pensando bem, não é correto.
         _ Os demais, que esperavam uma sessão gratuita de violência, apresentaram aspectos de decepção e intriga.
         _ Que exemplo, darei a meus filhotes? Continuou Sofia com voz firme. A vingança não é a melhor saída para nenhuma situação, mesmo que todos a sua volta indiquem que sim, mas lembremos que dificilmente os outros querem o nosso bem e sim o nosso mal para se divertirem e se vingarem a nossas custas.

        - Se eu, continuou a coruja, fizesse o mesmo que você fez comigo, estaria sendo tão perversa quanto você. Além disso, se eu fosse ouvir as opiniões sobre o fato, sem pensar e analisar com calma a situação, acabaria tomando uma atitude errada. Então, não é com maus exemplos que mudamos a atitude dos outros, mas com boas atitudes. Não se corrige o mal com o mal, mas com o bem.

Isaías Ehrich