sábado, 5 de outubro de 2013

POEMA DA OBEDIÊNCIA

Quis fazer a travessia
Sofrer as punições dos Umbrais
Sucumbir de uma vez esses meus doloridos ais
Fatigada minha vida parecia
Era assim que eu me via...
Mas uma fada humanizada interveio
E ordenou que eu procurasse outro meio
De dar prumo à minha vida
Por hora tão sem rumo.
Em um terno acalanto
Não sei se feitiço, hipnose ou encanto
A danada  insistiu e conseguiu
Um sorriso do meu ser arrancar
Era triste, amarelado, mas saiu.
Assim diminui mais meu chorar.
Outro mítico ser me interpela:
_O que houve, que aperto ‘indapouco’ eu senti?
Sem explicação, parei e rezei pra ti.
Respondi que era nada, apenas vontade de partir
E dele ir sem me despedir.
...
É dolorida essa angústia que me corrói
Eu sei que ela tão intensa me destrói.
...
Interrompido meu encontro com a morte
Não sei se agradeço tamanha sorte
Mas rememorarei tempos d’antes
De quando a dor era do ramo de salsa
Ou do mufumbo verde cipó
Que minha avó, como punição,
Para melhorar minha má educação
Sassaricava-os em mim sem dó.
Como era bom aquele tempo
Em que as dores logo passavam
As lapiadas em poucos dias se iam
Mas hoje são outras dores
Mais profundas e amargas
Hoje é peito, antes eram as penas que doíam
Mas é assim, dos amores

Há também dores e dissabores.

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