sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Narciso monstruoso

O teu autorrespeito de nada adiantou.
 Respeitando a si, a mim profundamente machucou.
Brincar com sentimentos de quem diz que amou
De que serve? Descartou!
Fez-me de capacho o teu “amor” viril
Provou a mim, que teu caráter é vil.
Sou um tolo romântico infantil.
Sonhador e fiel fui
Mas de nada lhe serviu
Porque você, Narciso monstruoso, não passa de um ser  vil!

Recolhi pedaços sentimentais,
Espalhados entre os estilhaços de meus ais.
Ternura, respeito,  meiguice,
 Paixão, carinho, acalanto,
Amor próprio e meu próprio amor, além de meu encanto
Por alguém que amei, que ainda amo tanto
Guardei tudo ali num canto
Onde dormem reminiscências de minha meninice.
Tudo isso adormecerá
 E assassinarei  em mim qualquer resquício disso, que teime em escapar
Pois de nada servem entulhos escombrados,
Empoeirados no tempo e amargurados no brado
De dor, dessabor e desamor que,  de tão forte,  foi expelido
E de tão intenso aos ecos, silenciado.
Embora, dentro de mim,  isso tudo e muito mais,
Insista em bradar  e questionar: é loucura demais!
Clamo a Deus, peço força e paciência
Porque intimamente sou  penitência.
Choro, choro, choro, sofro, vou ao fundo do poço
E entre soluços lacrimais quase morro.
Uma chama em mim se acende
E ao longe uma vaga fresta de esperança
Motivando-me a ser Fênix, de repente.

Essa brecha tem o nome de VINGANÇA! 

Isaías Ehrich

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