quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Feridas n'alma

Verdejante olhar de anjo Acalenta com ternura e paz Apascenta a dor que esbanjo Com a calma dos verbos que traz.
Em "Verdade chinesa" conversamos Dores comuns, experiências ruins compartilhamos D'amores remotos, remorsos trevosos confabulamos Mas é a esperança que almejamos!
Sofrestes feridas n'alma Mesmo assim, tua voz branda, terna, calma Exprime a força de um jovem do Senhor Machucado com as descrenças do amor.
Porém, no recôndito do teu ser Ainda reinam as marcas desse sofrer adormecidas, acabrunhadas, acalentadas Para que lá fiquem e não voltem a fazer Da vida desse jovem verdadeiro padecer.

Isaías Ehrich

sábado, 5 de outubro de 2013

POEMA DA OBEDIÊNCIA

Quis fazer a travessia
Sofrer as punições dos Umbrais
Sucumbir de uma vez esses meus doloridos ais
Fatigada minha vida parecia
Era assim que eu me via...
Mas uma fada humanizada interveio
E ordenou que eu procurasse outro meio
De dar prumo à minha vida
Por hora tão sem rumo.
Em um terno acalanto
Não sei se feitiço, hipnose ou encanto
A danada  insistiu e conseguiu
Um sorriso do meu ser arrancar
Era triste, amarelado, mas saiu.
Assim diminui mais meu chorar.
Outro mítico ser me interpela:
_O que houve, que aperto ‘indapouco’ eu senti?
Sem explicação, parei e rezei pra ti.
Respondi que era nada, apenas vontade de partir
E dele ir sem me despedir.
...
É dolorida essa angústia que me corrói
Eu sei que ela tão intensa me destrói.
...
Interrompido meu encontro com a morte
Não sei se agradeço tamanha sorte
Mas rememorarei tempos d’antes
De quando a dor era do ramo de salsa
Ou do mufumbo verde cipó
Que minha avó, como punição,
Para melhorar minha má educação
Sassaricava-os em mim sem dó.
Como era bom aquele tempo
Em que as dores logo passavam
As lapiadas em poucos dias se iam
Mas hoje são outras dores
Mais profundas e amargas
Hoje é peito, antes eram as penas que doíam
Mas é assim, dos amores

Há também dores e dissabores.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Narciso monstruoso

O teu autorrespeito de nada adiantou.
 Respeitando a si, a mim profundamente machucou.
Brincar com sentimentos de quem diz que amou
De que serve? Descartou!
Fez-me de capacho o teu “amor” viril
Provou a mim, que teu caráter é vil.
Sou um tolo romântico infantil.
Sonhador e fiel fui
Mas de nada lhe serviu
Porque você, Narciso monstruoso, não passa de um ser  vil!

Recolhi pedaços sentimentais,
Espalhados entre os estilhaços de meus ais.
Ternura, respeito,  meiguice,
 Paixão, carinho, acalanto,
Amor próprio e meu próprio amor, além de meu encanto
Por alguém que amei, que ainda amo tanto
Guardei tudo ali num canto
Onde dormem reminiscências de minha meninice.
Tudo isso adormecerá
 E assassinarei  em mim qualquer resquício disso, que teime em escapar
Pois de nada servem entulhos escombrados,
Empoeirados no tempo e amargurados no brado
De dor, dessabor e desamor que,  de tão forte,  foi expelido
E de tão intenso aos ecos, silenciado.
Embora, dentro de mim,  isso tudo e muito mais,
Insista em bradar  e questionar: é loucura demais!
Clamo a Deus, peço força e paciência
Porque intimamente sou  penitência.
Choro, choro, choro, sofro, vou ao fundo do poço
E entre soluços lacrimais quase morro.
Uma chama em mim se acende
E ao longe uma vaga fresta de esperança
Motivando-me a ser Fênix, de repente.

Essa brecha tem o nome de VINGANÇA! 

Isaías Ehrich