domingo, 22 de setembro de 2013

Labareda da Ira

Um gemido profundo pelo ar se vai
Solavancos de leves a intensos na cama
Confundem-se com um pedido que, aos poucos, se inflama:
"_ Por favor, para! Ai!"

O colchão amacia movimentos
Uma voz impetuosa corta o meio-silêncio:
"_ É pouco ou quer mais?"
Um chuveiro se abre e aplaca o incêndio
Que a labareda da ira aumentou por um momento,
alimentando-se com muitos ais.

O quarto em penumbra continuou
A madrugada atônita calou
Para que os sussurros dos corpos falassem
E sangue a suor se misturassem.

E essa união não era amor
Era íntima e externa dor!

Isaías Ehrich

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