quinta-feira, 27 de junho de 2013

O fonema da voz sussurrada

Veladas vozes vorazes
Vociferam volumes vibrantes
das vezes em que o valor
dos sentimentos reverberavam
por entre os vagos trêmulos
das vocais cordas a vibrar.
...

Vislumbrava as vertigens  de tua consciência
em sonhos revelados entre pré-vazios
copos de vinho e vodca
a verterem-se entre sobejos
e sabores pensamentos
...

O silêncio grita em mim
e escandaliza os volumes das vozes
a disputar as vezes de atenção.

...

Vendavais, ventanias interiores
ventilam os sentimentos  por vezes feridos,
vedados aos dissabores dos vórtices emocionais
de um ser valentemente covarde.
Forte apenas em verbos e vocábulos insultuosos
que vingam cicatrizes sulcadas
em tempos de vazios sentimentais.

Isaías Ehrich

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Poema interrompido

Calo-me porque os ais de mim
Ecoam os brados de clamor,
Angústias, desilusões e dor
Silenciados no ímpeto  de raiva em estopim.
Que disparou flagelos de um amor
Construído, vivido, crescido, destruído, esquecido
Nas vagas fendas do interior
de dois seres amargurecidos.

Cantei, vibrei, gritei, gozei, chorei,
Mas o amor foi sufocado por indiferenças,
descrenças e vis sentenças.

...
Isaías Ehrich 

domingo, 2 de junho de 2013

Indecifratez

Se me perguntassem o que é amor,
com palavras não saberia responder.
Amor não se traduz num alfabeto escrito,
seja ele a lápis, à caneta, ou pronunciado pelas farpas fonéticas da voz.
amor se traduz no olhar, se contempla no sorriso,
ganha entorno em torno da face acariciada.
Encorpora-se no abraço aconchegante do ser amado.
Amor é uma colcha de retalhos,
a qual, a cada dia se alinhava um pedaço de tecido.
Amor é essa colcha e muito mais.
O cuidado externo fortalece os fios alinhavados...
O zelo prestado  amacia e orna essa colcha,
mesmo que seja confeccionada pela mais rélis estopa.
Amar é deixar-se sentir -se para o outro
(e ao outro sentir).
Amor é abraço, cheiro, beijo, choro também, mas, principalmente  o consolo posterior.
Amor é gozo no lábio do outro da alegria compartilhada;
é cheiro, sabor e sentir...
é molhar de suor derretido pelos afagos
afagando o coração.

1º de abril

Hoje a solidão beijou meu peito
E a solidão abraçou minh'alma.
Durante horas contemplei meu leito
Preparado à base de amor, esperança e calma.

Para não dizer que estava só,
Uma bela enviada de Minerva
No alto de uma parede bruta vela
o meu desconsolo no coração formando um nó.

Patético palhaço eu
que uma surpresa ao amor meu
Meu próprio circo ornei
Com incensos, velas e cristais;
Jantar, massagens e carinhos planejei.
De companhia,  a coruja, apenas, e o breu
E duas míseras gotas lacrimais.

Ruminei madrugada adentro desolação.
Caminhei pela aurora lunar.
Terra, água, fogo e ar...
Nesses elementos procurei encontrar
O acalento para minha desconsolação.

                                                                                                                 Isaías Ehrich