sábado, 26 de janeiro de 2013

Não cruzo por acaso o meu silêncio.

Não cruzo por acaso o meu silêncio.
Ele fala  a mim amagamente aquilo que a minha voz não conseguiu traduzir.
Às vezes tropeço em seus gritos acordados dentro de mim
Aturdindo-me os sentidos de tão alto que urge das minhas entranhas

Não cruzo por acaso o meu silêncio.
De tão intenso ele engoliu para si a minha voz
Costurou no véu do seu caminho
Os retalhos de minhas lembranças e sonhos
que eu não soube (re)mendar sozinho.

Não cruzo por acaso o meu silêncio.
Ele vem nas vicissitudes de minhas emoções remoentes,
de minhas transgressões recorrentes,
de minhas diversões mais pungentes,
de minhas solidões mais ausentes.

Não cruzo por acaso o meu silêncio.

Isaías Ehrich


Um comentário:

  1. O silêncio não existe.
    É apenas uma outra forma de se escutar..

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