sábado, 26 de janeiro de 2013

Não cruzo por acaso o meu silêncio.

Não cruzo por acaso o meu silêncio.
Ele fala  a mim amagamente aquilo que a minha voz não conseguiu traduzir.
Às vezes tropeço em seus gritos acordados dentro de mim
Aturdindo-me os sentidos de tão alto que urge das minhas entranhas

Não cruzo por acaso o meu silêncio.
De tão intenso ele engoliu para si a minha voz
Costurou no véu do seu caminho
Os retalhos de minhas lembranças e sonhos
que eu não soube (re)mendar sozinho.

Não cruzo por acaso o meu silêncio.
Ele vem nas vicissitudes de minhas emoções remoentes,
de minhas transgressões recorrentes,
de minhas diversões mais pungentes,
de minhas solidões mais ausentes.

Não cruzo por acaso o meu silêncio.

Isaías Ehrich


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

QUEM ÉS TU?!

Será que tu
és o véu da noite
ou a minha sina
que vem em tom azul
ou em forma de neblina?

Talvez sejas
a brisa da manhã
ou simplesmente sejas
o suave aroma de hortelã.

Quem  sabe, és o pecado
em forma de amor!
Ou apenas um afago
que vem suave e com muito ardor?


Mas enfim,
respondas para mim:
_Quem és tu?!
És dona da minha razão
Ou do meu coração?

Ou tu és o passarinho
que veio fazer um ninho
no lugar mais profundo do meu coração
para proporcionar a paixão?!

Isaías Ehrich
(Texto publicado em NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO / EAFS - vol. II, 1999)