quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ENIGMÁTICO

Quando lhe conheci
Logo percebi
que, por trás
daquele semblante calmo, mas
ao mesmo tempo  audaz
Havia um enigmático ser solitário.

Solitário não sei em qual sentido.
Possuía, sim, um jeito comedido,
Sereno e filosófico de olhar
A vida, perceber o outro e cativar.

Esse enigmático ser solitário
Despertou em mim uma curiosidade em conhecê-lo,
em ajudá-lo...
E também uma certa vontade de desvendá-lo.
Aproximei-me e senti uma vibração energética
Amiga e magnética.

Seu olhar, pensativo e profundo,
Hipnotizou-me,
Arrebatou-me,
Fez-me naufragar
Nas ondas revoltas do seu mar.

Uma névoa incandescentemente agreste
Refletida pelos seus olhos em sua claridade celeste
Não me permitiu adentrar
Com mais segurança no seu íntimo, no seu mundo.

Ficamos mudos
A dialogar mentalmente
Tentando nos conhecer: Um a ouvir, outro a falar...
Buscando nos encontrar
Hipnotizados pelas profundezas de um olhar.

Isaías de Oliveira Ehrich (2005)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

12 de outubro: dia das crianças. Até quando?

           A cada dia, a infância é uma fase na vida do ser humano mais escassa. A cada dia ela vem sendo sucumbida e as crianças vêm deixando de vivenciá-la, tornando-se adultos, sobretudo no que tange à sexualidade, cada vez mais cedo.
           Há alguns anos era comum as meninas brincarem de boneca, casinha, escolinha até por volta dos quinze anos de idade. Os meninos, até os treze, quatorze anos estavam a brincar de bola, carrinho, bila (bolas de gude), pião, pipa. As brincadeiras eram mais divertidas e tinham um aspecto de pureza, camaradagem e união.
          Atualmente, meninos e meninas trocam as brincadeiras infantis pela sensualidade repassada pela mídia  (e incentivada pelos pais) e pela sexualidade apelativa, gritante em cada vão social. As crianças se transformam em adolescentes/adultos na vulgarização do corpo e no apelo erotizado através da linguagem em suas múltiplas possibilidades.
          Brincar, sonhar, estudar é "demodê" e sem atração. Infância tornou-se apenas uma fase em que o indivíduo não é grande o suficiente para brincar de "ficar", sonhar em "pegar" tod@s e... estudar..., bem, isso fica para depois de navegar pelo face ou... deixa pra lá.  

Isaías Ehrich