segunda-feira, 25 de junho de 2012

Janelas na vida (à Dra. Mary Carvalho)



Pela janela observo minha vida que transcorre
Num lindo caminhar.
Ora ela se aligeira e quer correr,
 Ora ela amansa e caminha devagar.
Assim é a dialética que ocorre
Entre horas, tempos desatinados a roer
As entranhas da noite e o rebento do alvorecer.
Pensativa, que nem Mariana Alcoforado num mosteiro
Pinto-me e bordo de modo ligeiro
Os contornos das janelas de minha vida
Que, translucidamente, as retinas lavam angústias de um passado hoje recordado
E de um presente que pulsa na ânsia de não chegar a um futuro esperado.
Talvez meu Conde de Chamilly
Atravesse a rua e me traga flores dizendo-me:
_ Estou aqui!
Ou então meu pai lá de dentro da cozinha grite a mim:
_ Menina, saia daí!
Que se dane a janela que me olha!
Eu olho é a vida que na rua passa.

                                                  Isaías Ehrich


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