terça-feira, 26 de junho de 2012

REBOLIÇO

 
Redemoinho em desertos cá chegados
Dos meus maus sentimentos palpitados
Empoeirando de areia meus labirintos
E em todos os  óbices cá surgidos
Desventuras e desapegos  triviais a mim são parecidos.

Meu desgosto corta a noite a caminhar
Em ternuras de soluços a chorar
Num rasgar lânguido febril
Fica o meu peito pulsante a palpitar
Desconjuram-se em verdades mal ditas
As malditas frases por mim proferidas
Que de cansadas saem da boca sutilmente
O que a mente já cansou de percorrer.
Toma forma, corre e me balança
Num sacudir de sensações e rebuliços  contornados
Esses  labirintos Tantos tornados
Têm tornado
Os meus maus sentimentos palpitados
Redemoinho em desertos cá chegados
E na alma sutilmente já ficados.

Isaías Ehrich

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Janelas na vida (à Dra. Mary Carvalho)



Pela janela observo minha vida que transcorre
Num lindo caminhar.
Ora ela se aligeira e quer correr,
 Ora ela amansa e caminha devagar.
Assim é a dialética que ocorre
Entre horas, tempos desatinados a roer
As entranhas da noite e o rebento do alvorecer.
Pensativa, que nem Mariana Alcoforado num mosteiro
Pinto-me e bordo de modo ligeiro
Os contornos das janelas de minha vida
Que, translucidamente, as retinas lavam angústias de um passado hoje recordado
E de um presente que pulsa na ânsia de não chegar a um futuro esperado.
Talvez meu Conde de Chamilly
Atravesse a rua e me traga flores dizendo-me:
_ Estou aqui!
Ou então meu pai lá de dentro da cozinha grite a mim:
_ Menina, saia daí!
Que se dane a janela que me olha!
Eu olho é a vida que na rua passa.

                                                  Isaías Ehrich


terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados: a calebração do amor



Introdução

O Dia dos Namorados é uma data comemorativa, não oficial, destinada aos casais de namorados, pretendentes e apaixonados. É tradição a troca de presentes, bombons e cartões com mensagens de amor entre namorados ou pessoas que se amam. Aqui no Brasil, esta data é comemorada em 12 de junho. Em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, a comemoração ocorre em 14 de fevereiro (Dia de São Valentim – Valentine’s Day).

História da data (14 de fevereiro) - Origem do Dia de São Valentim
A comemoração desta data remonta o Império Romano. Um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos pelo imperador romano Claudius II. Porém, o bispo desrespeitou a ordem imperial e continuou com as celebrações de matrimônio, porém de forma secreta. Foi preso pelos soldados e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento. O bispo Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro do ano 270.

Em sua homenagem, esta data passou a ser destinada aos casais de namorados e ao amor. A comemoração passou a ser realizada todo 14 de junho, principalmente, na Europa e, posteriormente (século XVII), nos Estados Unidos.

História do Dia dos Namorados no Brasil (12 de junho)
No Brasil, a data apresenta uma história bem diferente, pois está relacionada ao frei português Fernando de Bulhões (Santo Antônio). Em suas pregações religiosas, o frei sempre destacava a importância do amor e do casamento. Em função de suas mensagens, depois de ser canonizado, ganhou a fama de “santo casamenteiro”.

Portanto, em nosso país foi escolhida a data de 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio (13 de junho). Assim como em diversos países do mundo, aqui também é tradição a troca de presentes e cartões entre os casais de namorados.

O Dia dos Namorados nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos o dia dos namorados é chamado de Valentine’s Day. Celebrado em 14 de fevereiro, a comemoração é feita de uma forma diferente da brasileira. Nos Estados Unidos a data é comemorada, principalmente, por namorados, casais casados, noivos, amigos e pessoas que se amam (entre pais e filhos também é comum). Os que se amam demonstram, nesta data, todo seu amor através da troca de cartões, flores, chocolates e presentes. Os cartões costumam ser confeccionados pela própria pessoa, o que dá um toque bem criativo e pessoal a data.

domingo, 3 de junho de 2012

OH TERRINHA BOA! - humor nosso













A seca, os retirantes, o sonho para ir a São Paulo mudar de vida são temas que há muito tempo vêm sendo trabalhados na Literatura brasileira, do popular ao erudito, com autores renomados e desconhecidos, interpenetrando e tangenciando gêneros.
                Ao assistir à peça “Oh terrinha boa!” deparei-me com um texto de linguagem coloquial simples e bem estruturado. Indo do cômico ao dramático, com pinceladas de ironias e verdades contextuais, o texto ganha vida na voz e nas ações de seus personagens, que são caricaturas típicas folclorizadas do Sertão nordestino.
Em resumo, a peça conta a história de um casal sertanejo que moram em uma fazenda (sistema de meeiro) e que, devido á seca, resolvem ir para São Paulo. Lá chegando, percebem que a terrinha boa é a Paraíba!
                Zé do Vale (Jucinério Félix) é um personagem simples – metido a esperto, mas é um sertanejo beiradeio que tem um caso com Nhanhá e com ela tem três filhos. Mantém um perfil pacato, acanhado e submisso durante toda a peça.
                Nhanhá (Karla Cristiane) é um personagem secundário. Comadre de Maria Calado e Zé do Vale, ela tem um caso com seu compadre do qual resultam três descendentes, o último por nome de Zezinho Junior.
                Maria Calado (Ricardo Lacerda) é um personagem complexo. Inicialmente, passa a imagem de uma mulher sofrida e enganada pelo esposo. No desenrolar da trama, ela desvela os seus traços de maldade, o que provoca o humor e a ação do enredo. Além disso, o personagem possui vários monólogos, o que lhe dá mais expressão cênica.
                Comadre Miroxa (apenas falado o seu nome) é uma retirante que, acredita-se ter progredido em São Paulo.
                Jackellynny (cadela) no início da peça, a cadela rouba a cena: ela delimita seu espaço, tem expressão cênica e depois some pelo teatro. Fica até agora a pergunta: por onde anda Jackellynny?
                Vale a pena prestigiar Oh terrinha boa!. Humor sem apelação e boa produção. O público ri, emociona-se, cartaseia-se e ainda traz uma boa mensagem!