terça-feira, 18 de dezembro de 2012

POEMA A SÃO GONÇALO

Oh, terra querida!
São Gonçalo
de mil maravilhas.

São Gonçalo,
terra serena
de juventude plena
que Deus veio cuidar.

São Gonçalo, terra querida!
Que em sua serra abriga
a  EAFS, a Gruta de Lourdes
e este açude
para nos refrescar.

São Gonçalo,
Que, entre outros fatores
tem belas flores
e  muito mais amores

Oh, São Gonçalo da minha vida!
Tu és sem dimensão
a terra querida
do meu coração.

Isaías Ehrich

In: Nas asas da imaginação. Vol. II.  Sousa: EAFS, 1999. p. 31

domingo, 9 de dezembro de 2012

Anjo pueril

Em meus braços adormecido
Um anjo rebelde deleitou-se
Suas asas recuadas e seu semblante comedido
Buscavam apenas alento fraternal
Sua forma em estado pueril transformou-se.

Tão humana aquela criatura agora era
Carinho atenção e alento
foi o que sempre quisera
Respeito e limites também
para não cair nas armadilhas do mal
e seguir as virtudes do bem!

Inércia das horas

O tempo para nesse momento agitado!
Os pensamentos procuram acalmar
Os inquietos nervos incomodados
Com a mansidão dos ponteiros a deslizar
Por um relógio-pêndulo na mente
Que de tão pensamentos ansioso estarem
A sensação é a de que o relógio mente.

E as mãos inquietas começam
a enviar sinais torpes para os dedos dançarem
num ritmo dissoluto a estralarem.
E o palpitar do coração, antes dormente
agora, demente...

O corpo reage trêmulo
A cada segundo-hora transcorrido
E aquela marcação em pêndulo
tictacizam  meus neurônios aturdidos
Por um instante que não chega.

A eternidade resolveu aqui descansar!
E essa mesa tomá-la como leito
Na inércia das horas repousar,
Enquanto o coração ansioso a palpitar
Arrebenta de impaciência as fibras do meu peito.

Isaías Ehrich
(09.12.12)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Formosa, amada e bela!

Gaia tem inveja de tu
por possuíres um  sereno, não meigo olhar;
mais malicioso que os de Capitu:
olhos de ressaca de desejo!
que escondem a libido de tuas entranhas
a efervescer com sutis mornos beijos
a sensualidade e as artimanhas
de quem por teu corpo vive a passear.

Dizem alguns: promíscua!
Outros gananciosos te abusam.
Estupram o teu corpo fértil
devastam as tuas partes ainda virginais.
Mesmo assim, tu te resistes;
 não te permites estéril
e em troca alimenta aos que te usam,
mesmo mutilada e cheia de ais!

Em nome do progresso te rasgaram
fizeram de tuas pernas, canais;
dos teus pés, ponto final de correntezas fluviais.
Tuas mãos, extensões de fé e trabalho.
o teu ventre, nuclearam e dividiram
o teu seio  ora aumenta e transborda
depende da pressão e volume de gotas
que sobre o teu peito caem
ou das que da grande boca saem,
enchendo-te de puras "águas maternais".

Deram-te casas, escolas e vários outros prédios
Trouxeram-te vários homens e várias mulheres também
Pessoas que te sugaram e não te quiseram nenhum bem
esgotaram tuas forças, o teu ventre salinizaram.
O teu corpo envenenaram e tua voz sufocaram.

Mas tu, mesmo agonizante
te manténs bela!
Mesmo quando rica, sempre foi singela.
Hoje, usada, abusada e maltratada
São Gonçalo, tão formosa e amada,
Não perde a força, mantém a fé!

Isaías Ehrich
02.12.2012










sábado, 24 de novembro de 2012

Amor ferido

Desassossego de um amor
Desalinhos vitais alinhavados na dor
Feridas abertas no esplendor
Da congestão e do fulgor
de um sentimento puro
que, pouco a pouco, ficou desmaduro.

Fibra aorta  de rubro líquido
Bate no embate do pulso cardíaco
músculo de sangue e sentimento
Fôlego de ira e suspiro de amor
Indigestos na controversas de impulsos.

Isaías Ehrich


O tempo sem tempo

Nos transtornos de um cotidiano
agitado, torpe e insano, 
a fúria paira  
e a razão pára.
A emoção, louca, 
grita, insiste e rouca
fica a esperar uma solução
vinda nos passos do tempo.. 
O tempo sem tempo
não ouve os clamores da emoção.
que, no espaço de um contratempo,
perde a hora.
Estressado, chora!

Isaías Ehrich 


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ENIGMÁTICO

Quando lhe conheci
Logo percebi
que, por trás
daquele semblante calmo, mas
ao mesmo tempo  audaz
Havia um enigmático ser solitário.

Solitário não sei em qual sentido.
Possuía, sim, um jeito comedido,
Sereno e filosófico de olhar
A vida, perceber o outro e cativar.

Esse enigmático ser solitário
Despertou em mim uma curiosidade em conhecê-lo,
em ajudá-lo...
E também uma certa vontade de desvendá-lo.
Aproximei-me e senti uma vibração energética
Amiga e magnética.

Seu olhar, pensativo e profundo,
Hipnotizou-me,
Arrebatou-me,
Fez-me naufragar
Nas ondas revoltas do seu mar.

Uma névoa incandescentemente agreste
Refletida pelos seus olhos em sua claridade celeste
Não me permitiu adentrar
Com mais segurança no seu íntimo, no seu mundo.

Ficamos mudos
A dialogar mentalmente
Tentando nos conhecer: Um a ouvir, outro a falar...
Buscando nos encontrar
Hipnotizados pelas profundezas de um olhar.

Isaías de Oliveira Ehrich (2005)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

12 de outubro: dia das crianças. Até quando?

           A cada dia, a infância é uma fase na vida do ser humano mais escassa. A cada dia ela vem sendo sucumbida e as crianças vêm deixando de vivenciá-la, tornando-se adultos, sobretudo no que tange à sexualidade, cada vez mais cedo.
           Há alguns anos era comum as meninas brincarem de boneca, casinha, escolinha até por volta dos quinze anos de idade. Os meninos, até os treze, quatorze anos estavam a brincar de bola, carrinho, bila (bolas de gude), pião, pipa. As brincadeiras eram mais divertidas e tinham um aspecto de pureza, camaradagem e união.
          Atualmente, meninos e meninas trocam as brincadeiras infantis pela sensualidade repassada pela mídia  (e incentivada pelos pais) e pela sexualidade apelativa, gritante em cada vão social. As crianças se transformam em adolescentes/adultos na vulgarização do corpo e no apelo erotizado através da linguagem em suas múltiplas possibilidades.
          Brincar, sonhar, estudar é "demodê" e sem atração. Infância tornou-se apenas uma fase em que o indivíduo não é grande o suficiente para brincar de "ficar", sonhar em "pegar" tod@s e... estudar..., bem, isso fica para depois de navegar pelo face ou... deixa pra lá.  

Isaías Ehrich

terça-feira, 26 de junho de 2012

REBOLIÇO

 
Redemoinho em desertos cá chegados
Dos meus maus sentimentos palpitados
Empoeirando de areia meus labirintos
E em todos os  óbices cá surgidos
Desventuras e desapegos  triviais a mim são parecidos.

Meu desgosto corta a noite a caminhar
Em ternuras de soluços a chorar
Num rasgar lânguido febril
Fica o meu peito pulsante a palpitar
Desconjuram-se em verdades mal ditas
As malditas frases por mim proferidas
Que de cansadas saem da boca sutilmente
O que a mente já cansou de percorrer.
Toma forma, corre e me balança
Num sacudir de sensações e rebuliços  contornados
Esses  labirintos Tantos tornados
Têm tornado
Os meus maus sentimentos palpitados
Redemoinho em desertos cá chegados
E na alma sutilmente já ficados.

Isaías Ehrich

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Janelas na vida (à Dra. Mary Carvalho)



Pela janela observo minha vida que transcorre
Num lindo caminhar.
Ora ela se aligeira e quer correr,
 Ora ela amansa e caminha devagar.
Assim é a dialética que ocorre
Entre horas, tempos desatinados a roer
As entranhas da noite e o rebento do alvorecer.
Pensativa, que nem Mariana Alcoforado num mosteiro
Pinto-me e bordo de modo ligeiro
Os contornos das janelas de minha vida
Que, translucidamente, as retinas lavam angústias de um passado hoje recordado
E de um presente que pulsa na ânsia de não chegar a um futuro esperado.
Talvez meu Conde de Chamilly
Atravesse a rua e me traga flores dizendo-me:
_ Estou aqui!
Ou então meu pai lá de dentro da cozinha grite a mim:
_ Menina, saia daí!
Que se dane a janela que me olha!
Eu olho é a vida que na rua passa.

                                                  Isaías Ehrich


terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados: a calebração do amor



Introdução

O Dia dos Namorados é uma data comemorativa, não oficial, destinada aos casais de namorados, pretendentes e apaixonados. É tradição a troca de presentes, bombons e cartões com mensagens de amor entre namorados ou pessoas que se amam. Aqui no Brasil, esta data é comemorada em 12 de junho. Em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, a comemoração ocorre em 14 de fevereiro (Dia de São Valentim – Valentine’s Day).

História da data (14 de fevereiro) - Origem do Dia de São Valentim
A comemoração desta data remonta o Império Romano. Um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos pelo imperador romano Claudius II. Porém, o bispo desrespeitou a ordem imperial e continuou com as celebrações de matrimônio, porém de forma secreta. Foi preso pelos soldados e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento. O bispo Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro do ano 270.

Em sua homenagem, esta data passou a ser destinada aos casais de namorados e ao amor. A comemoração passou a ser realizada todo 14 de junho, principalmente, na Europa e, posteriormente (século XVII), nos Estados Unidos.

História do Dia dos Namorados no Brasil (12 de junho)
No Brasil, a data apresenta uma história bem diferente, pois está relacionada ao frei português Fernando de Bulhões (Santo Antônio). Em suas pregações religiosas, o frei sempre destacava a importância do amor e do casamento. Em função de suas mensagens, depois de ser canonizado, ganhou a fama de “santo casamenteiro”.

Portanto, em nosso país foi escolhida a data de 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio (13 de junho). Assim como em diversos países do mundo, aqui também é tradição a troca de presentes e cartões entre os casais de namorados.

O Dia dos Namorados nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos o dia dos namorados é chamado de Valentine’s Day. Celebrado em 14 de fevereiro, a comemoração é feita de uma forma diferente da brasileira. Nos Estados Unidos a data é comemorada, principalmente, por namorados, casais casados, noivos, amigos e pessoas que se amam (entre pais e filhos também é comum). Os que se amam demonstram, nesta data, todo seu amor através da troca de cartões, flores, chocolates e presentes. Os cartões costumam ser confeccionados pela própria pessoa, o que dá um toque bem criativo e pessoal a data.

domingo, 3 de junho de 2012

OH TERRINHA BOA! - humor nosso













A seca, os retirantes, o sonho para ir a São Paulo mudar de vida são temas que há muito tempo vêm sendo trabalhados na Literatura brasileira, do popular ao erudito, com autores renomados e desconhecidos, interpenetrando e tangenciando gêneros.
                Ao assistir à peça “Oh terrinha boa!” deparei-me com um texto de linguagem coloquial simples e bem estruturado. Indo do cômico ao dramático, com pinceladas de ironias e verdades contextuais, o texto ganha vida na voz e nas ações de seus personagens, que são caricaturas típicas folclorizadas do Sertão nordestino.
Em resumo, a peça conta a história de um casal sertanejo que moram em uma fazenda (sistema de meeiro) e que, devido á seca, resolvem ir para São Paulo. Lá chegando, percebem que a terrinha boa é a Paraíba!
                Zé do Vale (Jucinério Félix) é um personagem simples – metido a esperto, mas é um sertanejo beiradeio que tem um caso com Nhanhá e com ela tem três filhos. Mantém um perfil pacato, acanhado e submisso durante toda a peça.
                Nhanhá (Karla Cristiane) é um personagem secundário. Comadre de Maria Calado e Zé do Vale, ela tem um caso com seu compadre do qual resultam três descendentes, o último por nome de Zezinho Junior.
                Maria Calado (Ricardo Lacerda) é um personagem complexo. Inicialmente, passa a imagem de uma mulher sofrida e enganada pelo esposo. No desenrolar da trama, ela desvela os seus traços de maldade, o que provoca o humor e a ação do enredo. Além disso, o personagem possui vários monólogos, o que lhe dá mais expressão cênica.
                Comadre Miroxa (apenas falado o seu nome) é uma retirante que, acredita-se ter progredido em São Paulo.
                Jackellynny (cadela) no início da peça, a cadela rouba a cena: ela delimita seu espaço, tem expressão cênica e depois some pelo teatro. Fica até agora a pergunta: por onde anda Jackellynny?
                Vale a pena prestigiar Oh terrinha boa!. Humor sem apelação e boa produção. O público ri, emociona-se, cartaseia-se e ainda traz uma boa mensagem!