segunda-feira, 18 de julho de 2011

DANADO PASSARINHO

Que mistério é esse
Que você tem e me envolve?
Que magia é essa
Que você possui e que comove
As trêmulas batidas desse
Coração a reboque;
Do batuque e rebatuque
Da emoção pálida e inebriante
Entorpecida pelo teu carinho,
Endoidecida pela meiguice
De um danado passarinho,
Que fez dos meus braços um ninho
E dos seus fiz, da traquinagem e criancice,
Aconchego lascivo, danado passarinho!

O mundo lhe dá liberdade.
A vida lhe propicia felicidade.
Sua ausência já me provoca saudade
E o seu sorriso-menininho
É o cantar para eu,
Esse menino-ninho,
Aguardar você, danado passarinho.

(Isaías de Oliveira Ehrich)

segunda-feira, 21 de março de 2011

CLAMOR DO RIO DO PEIXE



Em um vale eu me formei
Nasci, cresci, aprofundei-me
Fortaleci-me, estendi-me.
Dinossauros já se banharam em minhas águas
Envolto ao meu leito,
Cidades se ergueram,
Fazendo de minhas várzeas, seu peito.
Sousa, sob a astúcia de Bento Freire, surgiu
Flori suas ruas, dei-lhe sorrisos!
Usou-me o "caminho do gado"
Para o Alto-Sertão habitar e prosperá-lo.

O tempo passou e fui sendo invadido
Tiraram de mim: minha força, minha extensão,
Minha profundidade e minha alegria.
Fecharam meus caminhos
Sufocaram meus ares
E em mim, fizeram seus lares.




Hoje acusam-me de perigoso, monstruoso.
Blasfemam-me, chamam-me de feio e deixam-me horroroso.
Dizem que sou importante e austero.
Será que ainda prospero?



Alimentam-me com lixo;
presenteiam-me com entulhos;
Perfumam-me com agrotóxicos;
enfeitam-me com cercas, casas e muros
Deixam-me um verdadeiro monturo.


Minhas águas estão turvas e estéreis;
Minhas várzeas, sujas e inférteis;
Minha caudalosidade murcha;
Minha alegria e sapiência, débeis.

Ao me encontrar com o Piranhas,
Conversamos, lamentamos, choramos.
Percebemos que em nossas entranhas
não há nem peixes, nem flores, nem bosques.

Até mesmo São Gonçalo, com suas "águas maternais",
Poluído, sem brio e sem brilho sofre.
Hoje, ainda Ro do Peixe,
sem peixe, sou.
Dia após dia vou
Vivendo meus ais!

Isaías de Oliveira Ehrich

quarta-feira, 9 de março de 2011

Às mulheres

Durante todo o ano, várias datas comemorativas são festejadas; umas de maior valor, outras, nem tanto. O dia 30 de abril é dedicado à mulher brasileira, é o dia nacional da mulher. Bela e justa homenagem, embora quase nunca lembrado, pelo menos não tão falado quanto o dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher.
Mas, deixando maiores delongas, quero lembrar grandes nomes de mulheres que alavancaram e abrilhantaram o nome do Brasil (e outros que ainda o fazem), ou ainda que, de certo modo, marcaram a história do nosso lugar, de nosso país. Refiro-me a nomes como os de Anita Garibaldi, Maria Bonita, Rachel de Queiroz, Chiquinha Gonzaga, Elis Regina, Heloísa Helena e tantas outras que, em seu modo de viver, de opinar, de agir e de se expressar fizeram a mulher brasileira ter a marca de heroína, de intelectual e de artista.
Nossa região também possuiu e possui muitos nomes de renome como os supramencionados.
Sousa também não é diferente. Foi e é berço esplêndido de grandes mulheres a exemplo de Ignez Mariz, Petrolina Pordeus, Jardelina (esposa de Chico Pereira), Ildete Queiroga, Madre Aurélia, D. Mariquinha, Socorro Pinto, Ilda Pordeus e Julieta Pordeus. Essa última merece um destaque especial, é um nome que a cidade de Sousa não pode deixar de enaltecer.
A escritora e historiadora Julieta Pordeus Gadelha é uma sousense de fibra, uma nordestina nata que procura sempre registrar, reavivar o nome de sua, ou melhor, de nossa “mátria” aconchegante. Analisa e expressa a sua opinião acerca dos acontecimentos da cidade sorriso. É a criadora do Hino de Sousa, em 1975. No ano posterior, juntamente com Marcílio Mariz, projeta a bandeira de nossa cidade.
Antes que ninguém conte”, ela relatou em 179 páginas a história da terra de Bento Freire, a Sousa dos Dinossauros.  Fala de sua origem, de seus costumes, dos seus representantes, de sua religiosidade, de seus cidadãos, enfim, traça um perfil do que foi a cidade de Sousa até a  década    de 70.
Julieta sempre está atenta aos fatos que acontecem. Não gosta de prestar entrevistas, contudo, expõe o seu ponto de vista em crônicas – muitas delas lidas em programas locais de radio ou escritas na revista sousense “Dimensão”. E por falar em dimensão, a grandiosidade de seu talento e de sua dedicada preocupação em manter a história da cidade do milagre eucarístico, presenteia-nos com a Fundação Tozinho Gadelha, uma serena casa que acolhe a trajetória de vida desse município petrolífero.
Julieta Pordeus Gadelha não é apenas uma simples mulher de nossa cidade. Ela é parte viva de nossa história que descansa no aconchego de sua choupana. Não é um nome que deve ser esquecido pela sociedade sousense, pois ela é um ícone das grandes personalidades dessa terra, é alguém que merece o nosso carinho e atenção, porque Sousa deu a vida a esse símbolo literário e ela marcou (e marca) a história de Sousa.
Isaías de Oliveira Ehrich