sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

HISTÓRIA DA FAMÍLIA EHRICH - PRIMÓRDIOS

Correio do Ceara – Fortaleza, 5ª feira, 25/06/1981

Crônica da ALA

HENRIQUE EHRICH



No dia 8 de junho corrente, ocorreu a data centenária do falecimento de Henrique Ehrich, natural da Alemanha, Faleceu de tuberculose na idade de 61 anos. Foi sepultado no cemitério Publico de Fortaleza, deixando viúva D. Catharina Ehrich ( veja Livro de Óbitos numero 21, Paróquia de São José – Sé, Fortaleza, folha 28).

Natural da cidade Schwerz, veio para o Brasil em 1839, por contrato que fizera com o Presidente de Pernambuco Dr. Rego Barros.

Em 1853 mudou-se do Recife para Fortaleza, e montou uma oficina de ferreiro, desempenhando no seu oficio as obras de maior dificuldade. No Jornal “Cearense”, 6ºª feira, dia 3.5.1861, encontramos o seguinte anuncio: “Henrique Ehrich, ferreiro alemão com oficina na rua Amélia (atualmente rua Senador Pompeu) se oferece ao Exmo. Governo da Província, e aos particulares, para fazer por contrato toda e qualquer obra de sua profissão, por menos preço, que outro a possa fazer, e com a prontidão e perfeição necessária.”

No relatório do Presidente Lafaiete Rodrigues Ferreira, do ano de 1860 consta, que o gradil de ferro, foram contratados com o ferreiro Henrique Ehrich pela quantia

de Cr$9:500$000.

“Votava culto sincero as odeias liberais, e foi um dos primeiros que procurou inscrever-se sócio da “Libertadora Cearense”. (Veja o jornal “Cearense” de 9.6.1881”.

Foi casado duas vezes e deixou numerosa família, a quem legou o amor do trabalho e o exemplo de suas boas qualidades de bom pai de família e homem de bem.

A primeira esposa chamava-se D. Barbara Maria Ehrich e era natural da Alemanha. Aos 16.4.1884 faleceu na idade de 48 anos, em Fortaleza, de uma trombose cerebral. Foi encomendada na Capela de São Bernardo e sepultada no Cemitério Público, ( Veja Livro de Óbitos nº 9, Sé – Fortaleza, folha 14 v).

Conforme o Jornal “Gazeta do Norte” de 9.6.1981, de Fortaleza, destas suas primeiras núpcias deixou, três filhos na mais extrema pobreza. Pela segunda vez, contratou casamento com D. Catarina Ehrich. Encontramos nos livros das Igrejas da Sé de Fortaleza os seguintes filhos deste segundo matrimonio:

F1 – Frederico: nasceu a l3-12.1867 e foi batizado em l7.1.1869 (Veja Livro Batismo nº 43, sob nº 231).

F2 – Porfírio: nasceu a 3.2.1869 e foi batizado em 16.12.1869 (Livro Batismo Nº 41, folha175).

F3 – Antonio: nasceu a 28.10.1871 e foi batizado em1.1.1872 (Veja Livro Batismo Nº 43, folha 85v).

F 4 – Henrique: nasceu em 1.2.1873 e faleceu com 2 meses de espasmo. (Veja Livro Óbitos Nº 11 folha 32v).

Conforme Jornal “Cearense” com data de 11 de junho de 1881 a Missa do 7º dia foi celebrada no dia 13 de junho de 1881 as 4 horas da madrugada, na Capela São Bernardo em Fortaleza. As famílias Catharina Ehrich, Frederico Klahgwald, Francisco Ehrich, João Ehrich, Henriquta Klahgwald, Anna Ehrich, Maria Erich e Josefina Ehrich convidam para este ato cristã em memória de seu marido, sogro e pai.

Não sabemos quantos descendentes de Henrique Ehrich existem. Sabemos portanto entre os mesmos há freiras e médicos e que são proprietários em Sobral-CE da Fábrica Industrial de Chapeos Três Irmãos situada a Rua Floriano Peixoto 444.



Texto encaminhado por Vera Lúcia Ehrich

sábado, 30 de outubro de 2010

Eleições no Palácio dos Afogados

     Num pântano distante do Rio das Águas Rasas, também havia uma disputa. Só que não era entre um hibisco e um girassol. Era entre dois batráquios, um inseto e uma planta. Todos disputavam ao cargo de Chefe do Pântano dos Afogados, que ficava próximo a dois outos pântanos: o da Bacia-Tigela e o do Pinico Emborcado. 
     A disputa pela chefia do Pântano dos Afogados era acirrada. Todos querendo ocupar o cargo, outrora que pertencera ao Cururu e hoje pertencnete ao Caçote. De um lado, estava a Gia (uma espécie de sapo comum para as bandas do Rio das Águas Rasas), que queria ficar no posto ocupado pelo Caçote e manter o seu trabalho; do outro, estava o Sapo-Boi, um tipo esquisito e muito feio de sapo, que pretendia, embora jurasse que não, continuar as ações desenvolvidas pelo Cururu.   
     Nos dois outros extremos dessa disputa quadrangular estavam a Samambaia, que já não aguentava o poderio exacerbado dos batráquios e defendia o Reino Plantae e o Mané-mago, uma espécie de inseto comum para os lados das margens do Rio das Águas  Rasas, embrora originário do Rio Caudaloso das Águas Sujas. O Mané-mago era a voz de todos os outros bichos que não tiveram oportunidade de expor seus pontos de vista nessa disputa.
     Os dias se passam e a disputa pelo cargo a Chefe do Palácio dos Afogados continua acirrada. A Samambaia e o  Mané-Mago  são os dois candidatos que mais se destacam pela postura e pela clareza ao expor o que realmente objetivam fazer, caso consigam ganhar a disputa. Os dois outros ficam apenas vendo "a banda passar" enquanto os melhores debatem suas propostas e defendem suas ideias.
     O dia da eleição chega e todos os moradores daquelas paragens vão escolher o melhor nome para administrar o Palácio dos Afogados.
     Finalizado o dia de votação, a população do pântano se surpreende pela expressividade eleitoral que a Samambaia tivera. O Mané-mago, embora fosse o representante das demais vozes ali presentes, não obtivera muito êxito. Talvez por ser o mais feio de todos, ou por ser o mais velho, embora fosse o mais preparado. A Gia e o Sapo-Boi tiveram o maior número  de votos, demonstrando que o povo daquele pântano ainda não quer se livrar do poderio dos batráqios. 
     Como a diferença de votos entre os batráquios não fora tão grande, devido à expressividade da representante do Reio Plantae,  a disputa ao cargo de Chefe do Palácio dos Afogados  necessitará de um outro pleito.
     O Sapo-Boi, com ares de bom moço, mas mantendo a asquerosidade de sempre, vai à luta. Ludibria, inventa, trapaceia, ameaça e se protege da agressividade da turma da Gia por uma couraça nojenta.
     A Gia, por sua vez, deixa de lado o seu ar de animal choco e tenta ser simpática. Sorri, brinca, conta piadas, dança, mas ainda sustenta a pose de cordialidade, embora seja, veementemete rechaçada pela turma do Sapo-Boi.
     Os batráquios se engalfinham entre si. Jogam sujo um com  outro e posam de Senhores da paz. Quiseram o apoio da Samambaia e do Mané-Mago, mas ambos mantiveram-se imparciais e não apoiaram nem a Gia, nem o Sapo-Boi.
     A disputa chega ao fim e, antes de se saber quem dos dois ganhou a disputa pelo cargo de Chefe do Palácio dos Afogados, há uma certeza: os batráquios continuam a governar o Palácio dos Afogados.
     Aguarda-se um Coração Valente que tenha o pulso, a coragem, o caráter e a simplicidade de aglutinar esssas forças todas e administre com lisura o Palácio do Afogados.

Texto de Isaías Ehrich 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O hibisco e o girassol

          Às margens do Rio das Águas Rasas, disputavam o mesmo espaço, em uma pequena jardineira,  um girassol e um hibisco. Na disputa, outras flores foram sucumbidas pela briga entre aquelas duas.
         O hibisco sentia-se dono daquela jardineira por estar ali a mais tempo. Tinha se enraizado por todas as brechas possíveis e sugava os nutrientes das demais plantinhas que tentassem prosperar. Era uma planta robusta, mas devido a podas para melhor se ajustar às opiniões dos vários jardineiros que dela cuidavam, o hibisco não crescera em altura, apenas em lateralidades.  Com isso, ele ocupou o espaço da jardineira quase por completo.
         O girassol, por sua vez, fora germinado ali mesmo, após vencer as raízes do hibisco que, pela jardineira, espalhavam-se. Disputando  aquele minúsculo local, o girassol cresceu em direção à primeira luz do sol que desponta do extremo ponto oriental das três Américas. Tal plantinha, não era robusta nem tinha raízes profundas. Era fina, comprida e buscava a direção do sol para melhor se fortalecer.
         Na rinha, ora o hibisco se destacava, ora o girassol. Por ser mais flexível e por poder enxergar as possibilidades de formas diversas, o girassol começou a se destacar mais e mais. Com isso, o hibisco utilizou artimanhas diversas para chamar mais atenção: projetou sua sombra por sobre as gramíneas, as "onze-horas", as margaridas, no intento de "protegê-las" do sol. Além disso,  pendia para um caldeirão que, de repente surgiu por aquelas paragens, pensando ele que aquele objeto servisse para ele fixar suas raízes.
       O girassol, ao ver aquelas artimanhas, também buscou ajuda. Contou com o apoio de um "comigo-ninguém-pode" e da samambaia, que por possuir sempre o tom verde, deixava aquelas margens com ares de esperança e, com isso, ganhava a simpatia de quem por ali passasse.

       A disputa durou um bom tempo, mais precisamente quarenta dias e quinze horas, e nenhuma das duas espécíes de flores ganhou a disputa, pois num dia ensolarado, alguns jovens que foram fazer um pique-nique às margens do Rio das Águas Rasas pularam tanto na euforia pueril que acabaram arrancando o hibisco e transplantando o girassol para outro local.

Isaías Ehrich

domingo, 24 de outubro de 2010

ELEMENTOS

O mar que habita em mim é o das torrentes emocionais que perpassam a razão e vivem maroleando por entre minhas certezas incertas. 
O céu que habita em mim não é o do azul luminoso, mas o céu de inverno setanejo: tempestivo, insanamente esperançoso.
A alma que habita em mim é  a que está sempre no devir, à espera de um chegar demorado. É a mesma que Sócrates procurava entender, aquela que me anima e que se entrelaça a meu spiritus e corporifica meu EU.
A alma que desabita de mim é a da matéria capitalista que vagueia por entre corpos desanimados.
O ar que em mim habita não é a brisa de um entardecer aurorado; é o vendaval  harmônico, compasadamente orquestrado. Aquele que acalenta o cangote das casas e que faz cafunés nas copas das árvores.
O calor que habita em mim é o da humanidade utopicamente sonhada por More e Bandeira.
Parece até besteira, mas esse calor é mais quente que o do habitado nas plagas sertanejas ao Sol do meio-dia em mês de outubro.
A terra que habita em mim é a da fertilidade de sonhos e aridez racional.
A água que habita meu ser é a mesma que faz o Piranhas viver e a mesma que faz fluidificar as esperanças de um outro ser em mim mesmo cont(r)ido.
O fogo que habita em mim é o das fogueiras juninas acendidas em terreiros rurais e rodeadas de conversas de outrora.
A cor que habita em mim é o azul esverdeado de um mar revoltadamente calmo, sereno. O mesmo espelhado em águas de um rio rodeado por mato  e céu claro.
A cor que também habita em mim é o laranja da tropicalidade brasileira, o mesmo de um Partido que elege o Sol como símbolo.
A poesia que habita em mim é a intimista meireliana, a sociológica drummondiana, a agreste cabraliana,  mas também a desbocada e escrachada poesia lucindiana e a poesia do olhar profundo da coruja a penetrar no âmago de um ser.
O ser que habita em mim é um escorpião inquieto que balança os pratos da Balança de Minerva. É a natureza e a beleza da Serra de Santa Catarina a estirar-se por espaços por ela demarcados.
Os elementos que me compoem são os mesmos que habitam em mim e mais uns outros que se aglutinam diariamente para eu me ser Ser.
Isaías Ehrich

terça-feira, 19 de outubro de 2010

MEU CORAÇÃO ESTÁ PARTIDO

É com imensa tristeza, que hoje posto em meu blog esse comunicado.


Comunicado de Afastamento da Presidência Nacional do PSOL




1. Agradeço a solidariedade de muitos diante da minha derrota ao Senado (escrevo na primeira pessoa pois sei, como em outras guerras ao longo da história já foi dito "A vitória tem muitos pais e mães, a derrota é orfã!). Registro que enfrentei o mais sórdido conluio entre os que vivem nos esgotos do Palácio do Planalto - ostentando vulgarmente riquezas roubadas e poder - e a podridão criminosa da política alagoana. Sobre esse doloroso processo só me resta ostentar orgulhosamente as cicatrizes, os belos sinais sagrados dos que estiveram no campo de batalha sem conluio, sem covardia, sem rendição!
2. Comunico à Direção Nacional e Militância do PSOL a minha decisão de formalizar o que de fato já é uma realidade há meses, diante das alterações estatutárias promovidas pela maioria do DN me af astando das atribuições da Presidência. Como é de conhecimento de todas(os) fui eleita no II Congresso Nacional por uma Chapa Minoritária, composta majoritariamente pelo MES e MTL, em um momento da vida partidária extremamente tumultuado que mais parecia a velha e cruel opção metodológica das lutas internas pelo aparato diante dos escombros de miserabilidade e indigência da nossa Classe Trabalhadora. Daí em diante o aprofundamento da desprezível carnificina política foi ora transparente ora dissimulado mas absolutamente claro!

Assim sendo, em respeito à nossa Militância e aos muitos Dirigentes que tanto admiro e por total falta de identidade com as posições assumidas nos últimos meses pela maioria das Instâncias Nacionais ( culminando com o apoio a Candidatura de Dilma!) tenho clareza que melhor será para a organização e estruturação do Partido o meu afastamento e a minha permanência como Militante Fundadora do PSOL, sempre à disposi ção das nobres tarefas de organização das lutas do nosso querido povo brasileiro! Avante Camaradas!


Maceió, 19 de Outubro de 2010


Heloísa Helena

sábado, 9 de outubro de 2010

AOS QUE SONHAM (Isaías de Oliveira Ehrich)


Dão-me nomes femininos.
Quando concretizado, sou Realidade.
Apelidam-me de Intuição,  Quimera e Utopia.
Estou para habitar em seres grandes e pequeninos.
O mundo corre. Mesmo com a pouca idade,
Já tem miopia.

Os que nele vivem não me enxergam,
Não me sentem
Caminho por aí com a alcunha de Oportunidade.
 Os espertos me agarram
Os parvos não sabem que me tem.
Os mais céticos, afirmam que sou Verdade.

Muitos me aprisionam
Em seus egos, a mim, enclausuram
Mas eu fujo!
Escorrego pelas frestas da altivez
E mesmo ferido ou sujo
Reinterpreto-me e volto mais de uma vez.



Quando sou sutil, pensamento.
Revelo-me quando intenso.
Se atordoado, devaneio.
Quando dormem, ressurjo.
Deles, corpo e mente escamoteio.
Se fico tenso,
Sacudo um corpo e trevareio.



Ah, mas mesmo no maior tormento
Ou na plenitude orgástica da alegria,
O interior de alguém permeio.
Para sobreviver, necessito de alimentos.
Dão-me razão, coragem, esperança, amor, impulso, razão e mais outros recheios.
Mas a Perseverança é que mais me delicia!

De mim, todos precisam para viver.
Não importa como seja o humano ser.
Não me interessa onde me ponham.
Estou disponível naqueles que sonham.

domingo, 19 de setembro de 2010

É BOM PRA QUEM?

          Essa  reportagem que vocês lerão na íntegra abaixo é interessante ser repassada, pois mostra que, muitas vezes, as séries, reportagens especiais ou outro quadros jornalísticos são adaptados  para enganar a população em benefício determinados setores. Leiamos!
 

É BOM PRA QUEM?
Carlos Lyrio
(Médico e Diretor do Instituto Roberto Costa - Petrópolis-RJ)



No dia 5 de setembro, domingo, foi veiculado no FANTÁSTICO uma matéria intitulada “É BOM PRA QUE?”. A reportagem começa com a âncora do programa dizendo que a “babosa dos xampus”  pode ser perigosa quando utilizada  “para tratar o câncer”. Na sequência o Dr. Dráuzio Varella faz uma comparação entre a fitoterapia e a quimioterapia no tratamento do câncer entre outras patologias.  O que me chamou a atenção foi a tendência explícita para denegrir a fitoterapia, principalmente como prática popular.
Toda a matéria foi pautada enfocando os perigos da prática fitoterápica, como se os seculares chás das nossas vovós fossem feitiçarias mortais para os pobres coitados moribundos enganados pelos bruxos dos fitoterapeutas. Eu pergunto: você já ouviu falar de alguém que morreu porque tomou boldo?  Você já ouviu falar de alguém que foi parar no CTI porque usou quebra-pedra? Ou ainda, você já ouviu falar de alguém que tomou babosa para tratar o câncer e ficou fraco, careca e quase morreu? Em contrapartida, quantas pessoas que você conhece que depois que começaram a usar radiação e quimioterápicos para tratar o câncer morreram? Quem nunca soube de um caso de alguém  que foi fazer um simples exame de radiografia que usa contraste e foi parar no CTI? Será que o Dr. Dráuzio Varella, porta-voz da verdade de plantão, está realmente preocupado com os chás, ou talvez sua preocupação esteja mais voltada para garantir o mercado da indústria farmacêutica? A Reportagem “É BOM PRA QUE?”  É BOM PRA QUEM?
No dia 02 de janeiro de 2007 o jornal The New York Times publicou uma matéria assinada pelos jornalistas  Gilbert Welch, Lisa Schwartz e Steven Woloshin intitulada epidemic of diagnoses (epidemia de diagnósticos) . O  artigo começa com os jornalistas dizendo  textualmente que “ a maior ameaça a saúde apresentada pela medicina americana é o fato de cada vez mais estar afundando não numa epidemia de doenças, mas sim numa epidemia de diagnósticos”. Eles mostram que tal epidemia tem  graves e nocivos desdobramentos. O primeiro é o que eles  chamam de medicalização da vida cotidiana. Na matéria  dizem que “a  maioria de nós passa por sensações físicas ou psicológicas desagradáveis que, no passado, eram consideradas como parte da vida. Se uma criança tossir depois de fazer exercícios, ela tem asma. Se tiver problemas com leitura, é disléxica. Se estiver infeliz, tem depressão. Se alternar entre euforia e tristeza, tem distúrbio bipolar.”. O segundo desdobramento é o que eles consideraram como uma tendência de descobrir doenças o quanto antes. Os jornalistas afirmam que “diagnósticos que eram usualmente restritos a moléstias graves, hoje são diagnosticados  em pessoas que absolutamente não apresentam sintomas, os famosos grupos de risco e as pessoas com predisposição. Isso se dá graças a avançada tecnologia que torna possível  qualquer diagnóstico em qualquer pessoa: artrite em pessoas sem dores nas juntas, úlcera em pessoas sem dores no estômago e câncer de próstata em milhões de pessoas que, não fosse pelos exames, viveriam da mesma forma e sem serem consideradas pacientes com câncer”.
O principal desdobramento da epidemia de diagnósticos, é o que os jornalistas intitulam de epidemia de tratamentos. Aqui eles mostram que “nem todos os tratamentos têm reais benefícios, mas quase todos podem ter reais prejuízos”. Finalizando o artigo os autores revelam que por trás  da epidemia de diagnósticos  existe um grande interesse , pois “ mais diagnósticos significa mais dinheiro para a indústria farmacêutica, planos de saúde, hospitais, e médicos”.
A Fitoterapia segundo uma  publicação de 2006 do Ministério da Saúde assinada pelo atual Ministro da Saúde José Gomes Temporão  e pelo então Secretário  de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde Moisés Goldbaun intitulada  Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS mostra que “o uso de plantas medicinais na arte de curar é uma forma de tratamento de origens muito antigas, relacionada aos primórdios da medicina e fundamentada no acúmulo de informações por sucessivas gerações. Ao longo dos séculos,produtos de origem vegetal constituíram as bases para tratamento de diferentes doenças.Desde a Declaração de Alma-Ata, em 1978, a OMS tem expressado a sua posição a respeito da necessidade de valorizar a utilização de plantas medicinais no âmbito sanitário de seus países membros, tendo em conta que 80% da população mundial utiliza estas plantas ou preparações destas.
Parece que o Dr. Drauzio Varella e sua equipe fantástica da telinha estão na contramão da realidade.   Nos Estados Unidos, berço da indústria farmacêutica ,  a tendência do povo é tratar SIM o câncer com babosa e aqui no Brasil as autoridades também estão acenando no mesmo sentido. O pior é que na reportagem ainda tentaram denegrir a imagem da Igreja Católica, que tem uma participação expressiva e legítima na prática popular da saúde em regiões longínquas  desse nosso país continental,  onde não existe tecnologia e muito menos tecnólogos da saúde, onde só as plantas fazem a diferença, graças a Deus!
É BOM PRA QUEM? Vou deixar a resposta para o Médico Britânico, o Dr. Vermon Coleman, autor , entre outros, do Bestseller Bodypower (O poder do corpo): “A prática da medicina é um grande negócio. Milhares de empresas têm interesse documentado na sua doença”. Por isso é que querem que você fique com medo da Babosa. É FAN-TÁS-TI-CO!

sábado, 4 de setembro de 2010

O NATURAL E MITOLÓGICO SER CORUJA

O termo coruja é a designação comum às aves estrigiformes (uma ordem de aves que inclui aves de rapina noturnas). São caçadoras eficientes, usando, sobretudo seus olhos extremamente aguçados e movimentos rápidos. Além disso, são extremamente atentas ao ambiente. Tais aves possuem hábitos crepusculares e noturnos e voo silencioso devido à estrutura das penas, alimentando-se de pequenos mamíferos (principalmente de roedores), insetos e aranhas (por isso, são tidas como animais de purificação de ambientes!). Engolem suas refeições por inteiro, para depois vomitarem pelotas com pêlos e fragmentos de ossos. Moram em ninhos que ficam em cima de árvores. Na região amazônica, algumas espécies também são chamadas de murutucu.
A superstição popular diz que adivinham a morte com o seu piar e esvoaçar. Julgava-se também que essas aves gostam de azeite por visitarem as igrejas durante a noite, onde existiam lamparinas de azeite acesas. Na realidade, elas procuravam os insetos atraídos pela luz das lamparinas.
Os filhotes de corujas podem ser vítimas de outros predadores como o gavião.

O período da reprodução dependente da espécie. A prole é entre cinco ovos por gestação. Depois da eclosão, o macho cuida dos filhotes por dois meses até que estes aprendam a se defender.

Uma das características marcantes da coruja é o fato da mesma fazer o seu ninho no solo, no local de muitas relvas baixas, próximo a árvores. Cavam no chão verticalmente até certo ponto, e depois prosseguem horizontalmente até o ponto definido para colocar o ninho livre de predadores.


O macho fica de sentinela na árvore, cuidando do ninho, principalmente durante o dia. Na presença de um possível invasor, os filhotes podem imitar sons de serpentes (sibilar) fazendo o agressor desistir do ataque.

As corujas podem girar a cabeça 360º. São conhecidas como o símbolo da sabedoria e da inteligência.



A Coruja na Mitologia





As aves, por serem consideradas os seres mais próximos dos deuses, foram, conforme suas características e atribuições, associadas a eles. A soberana águia acompanhava o poderoso Zeus, o imponente pavão, sua consorte e protetora dos amores legítimos: a deusa Hera. À atenta coruja coube a companhia da sábia Athena.

Vemos a imagem da coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta, nas mais antigas moedas atenienses. A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Athena é “a de olhos gláucos” (esverdeados).
Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Atena é irmã de Apollo (Sol).

É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.

A coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica acordada, de olhos arregalados, banhada pelos raios da sua inspiradora Lua. Vigiando os cemitérios ou atenta aos cochichos no breu, essa embaixadora das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma profunda e poderosa conhecedora do oculto.

Havia uma antiga tradição segundo a qual quem como carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. A coruja tornou-se assim atributo tradicional dos mânteis, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinatio, da adivinhação, simbolizando-lhes o dom da clarividência.

Isis - na mitologia egípcia, a coruja tamém era a forma animal da deusa.


Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e nossa proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para O Todo.

Na introdução de sua obra Filosofia do Direito, o Filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830), escreve o seguinte.

Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho,

uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza

sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer;

A coruja de Minerva alça seu vôo

somente com o início do crepúsculo.



Nascimento de Palas Athena (Minerva)

Simbolo da Justiça - Athena 




Narra o mito que a Sabedoria e a Justiça, personificadas pela deusa grega Athena, é fruto de Métis (a astúcia, a inteligência) com o poderoso Zeus, ordenador do Cosmos.

Após ter sido proferido pelo oráculo que, se Zeus tivesse uma filha, ela se tornaria ainda mais poderosa que ele, Zeus tratou de engolir Métis para impedir o nascimento. Assim, Athena é gerada na cabeça do soberano do Olimpo (por isso, a deusa é associada ao lógos).

Findado o período de gestação, o supremo deus começou a sentir terríveis dores de cabeça, pois enquanto a Justiça não nasce, elas são inevitáveis.
Desesperado e no limite, Zeus ordena ao ferreiro divino Hefestos (Vulcano) que lhe abra a cabeça. Mesmo a contragosto, com técnica e precisão, desferra-lhe o machado de ouro certeiro e todos se surpreendem ao verem surgir, imponente e armada, pronta para a guerra, a deusa Palas Athena.

Palas significa "a donzela", pois a poderosa filha pede ao pai para manter-se sempre virgem e, desta forma, impor-se com a autoridade de quem não se deixa seduzir ou corromper.


Sua principal característica física é o porte altivo. Invocando a proteção de Athena sobre todo e qualquer embate, tem-se a vitória como certa, uma vez que Palas Athena é sempre acompanhada por Niké (a vitória).



Com a espada de ouro em punho ou lança resplandescente (numa imagem mais arcáica), que fora presente do deus da techné Hefestos, Athena já nasce fortemente armada, pronta para a guerra. Mas o combate da deusa grega é diferente da guerra do bélico deus Ares.

Na mitologia grega, Ares, é o cruel deus da guerra, da carnificina. Individualista, não titubeia em impor sua caprichosa vontade a quem quer que seja. Enaltecido pelos Romanos, impulsivo, Ares é um deus de caráter epimetéico: primeiro age, depois pensa.

Pensar é atividade da mente, do elemento Ar (signo Libra), este sim, distingue os homens das bestas. Daí a prudente razoabilidade de Athena ser tão necessária à manutenção da ordem (Cosmos) e à evolução do espírito humano.

De gosto pelo desafio da conquista, Ares é acompanhado de Éris (a Discórdia), que com seu archote em chamas acende o furor no coração dos soldados e seus filhos, Deimos (terror) e Phóbos (medo), também servidores fiéis desse funesto deus.

O espetáculo hediondo da carnificina causa horror à deusa Athena. Os gregos sempre preferiram à sábia, justa guerreira Palas Athena, filha da razão do soberano do Olimpo. Athena é também patrona da guerra, mas trata-se do combate feito com inteligência e astúcia, motivado por um ideal honroso, guerra somente enquanto último recurso, quando se torna insuficiente a lúcida resolução diplomática e pacífica de qualquer polêmica. Uma batalha também pode ser encarada como última e importante argumentação na defesa da justiça quando todas as outras falharam.



Sempre às turras com seu inimigo Ares, pois nem sempre se encontram do mesmo lado na batalha, Palas (a donzela) será a única mulher a imiscuir-se aos homens, sendo sempre respeitada por eles. Antes do começo da batalha, eles sentem sua presença inspiradora e com isso anseiam mostrar seu heroísmo. “Sacudindo a terrível égide, a deusa brada e corre veloz entre as fileiras convocadas à batalha. Um momento atrás, esses homens haviam aplaudido com júbilo a idéia de voltar para sua pátria; agora a esquecem por completo: o espírito da deusa faz agitar todos os corações com ardor bélico”.

Renomados heróis como Tideu, Hércules, Ulisses e Aquiles dobram-se aos seus sábios conselhos.

Quanto ao herói Tideu, Athena foi sua fiel companheira de batalha, até quis torná-lo imortal. Aproximou-se do herói ferido de morte trazendo na mão a bebida da imortalidade. Mas ele estava a ponto de fender violentamente o crânio do adversário morto para sugar-lhe o cérebro. Horrorizada, a deusa retrocedeu e o protegido para quem ela cogitava o mais elevado destino mergulhou na morte comum, pois tinha desonrado a si mesmo.

“Athena seria mulher porque os orgulhosos heróis que se deixaram conduzir por ela não se submeteriam tão facilmente a um varão, mesmo que fosse um deus”.

Quando em fúria cega Aquiles está prestes a liquidar Agamêmnon, Athena toca seu ombro e o aconselha a dominar-se, contentando-se em ofender o Atrida somente com palavras. O herói prontamente guarda a espada já desembainhada.

Refletindo sobre a máxima de Heráclito: “A Guerra é Pai de todas as coisas”, é pela espada de Athena que se impõe a Justiça.

Athena carrega, no peitoral de sua armadura a cabeça de Medusa, a rainha das Górgonas.

As Górgonas são três irmãs (Medusa, a dominadora; Euríale, a errante e Esteno, a violenta) que simbolizam os inimigos interiores que temos de evitar. São deformações monstruosas da psique nascidas do desvirtuar de três pulsões humanas: sociabilidade (Esteno), sexualidade (Euríale) e espiritualidade (Medusa). Como a perversão espiritual prevalece sobre as outras, Medusa é conhecida como rainha das Górgonas.

A perversão da pulsão espiritual, por excelência, é a vaidade (imaginação exaltada em relação a si mesma) que é simbolizada pela serpente. Em Medusa, inúmeras serpentes coroam sua cabeça.

No frontispício do templo de Apollo (irmão de Athena), deus da harmonia, lêem-se as palavras que resumem toda a verdade oculta dos mitos: “conhece-te a ti mesmo”. A única condição do conhecimento de si mesmo é a confissão das intenções ocultas, que, por serem culpáveis, são habitualmente maquiadas pela vaidade (por uma justiça falsa, pois sem mérito, infundada). A inscrição reveladora significa, portanto: desmascara tua falsa razão, ou, o que dá no mesmo, aniquila tua vaidade. Faz-se necessário a clarividência em relação a si mesmo, o inverso do ofuscamento vaidoso e petrificante.

Ver Medusa significa: reconhecer a vaidade culposa, perceber a nu suas falsas razões, suas intenções ocultas, o que ninguém consegue confessar a si mesmo, da qual ninguém suporta a visão.

A cabeça da Medusa foi presente do herói Perseu, a quem a deusa Athena auxiliou em combate emprestando-o seu escudo, para que não a encarasse de frente e ficasse estagnado. O escudo reluzente de Athena, ao refletir a imagem verídica das coisas e dos seres, permite conhecer a si mesmo: é o espelho da verdade. Neste escudo, o homem se vê tal como é, e não como gosta de imaginar ser.

Athena é a deusa da combatividade espiritual (as três manifestações da elevação espiritual são a verdade, a beleza e a bondade). A sapiência, o amor pela verdade é a condição para ascender ao conhecimento de si e, em conseqüência, para adentrar na harmonia (Apollo).

Athena é a patronesse das Universidades


Para derrotar a Medusa, foi necessário que o herói a surpreendesse enquanto dormia pois o homem somente é lúcido e apto ao combate espiritual quando a exaltação de sua vaidade não está desperta. Arma muito cobiçada, mesmo morta, a cabeça da Medusa continuou mantendo seu poder de petrificar quem a encarasse de frente.

Contra a culpabilidade advinda da exaltação vaidosa dos desejos, não há senão um único meio de salvaguarda: realizar a justa medida, a harmonia.


      A deusa, símbolo da combatividade que inspira o amor à verdade, convida os mortais a reconhecerem-se em Medusa, incitando-os à luta contra a mentira essencial, a mentira subconscientemente desejada, o recalcamento, as falsas razões. A cabeça cortada prova que a Medusa não é invencível.

Antes de merecer o apoio de Athena, todo mortal deve encarar o símbolo da decadência espiritual (a vaidade). Somente assim têm-se certeza de que sua reivindicação não oculta outra intenção, ou seja, não é capricho, teimosia. Ante a imagem da Medusa, quem busca a deusa clamando por justiça tem somente duas possibilidades: contar com sua proteção (vitória certa), se já passou pela prova da Medusa, ou imobilizar-se no pânico e petrificar-se.
          Atualmente, diz-se que a coruja está associada à transmutação e é a mediadora entre os humanos e os seres de outras galáxias (E.T.). Segundo relatos, antes de processos de abdução, é comum aparecer uma coruja ao humano a ser abduzido. A coruja, com o seu olhar, ipnotiza-o para que a abdução seja menos dolorosa. A ave fica observando a casa para que tudo ocorra normalmente entre ET e abduzidos.
         Algumas tribos indígenas brasileiras, principalmente os Cariris, acreditavam que essa ave de rapina era um deus disfarçado de animal. Para eles, se a ave ficasse parada observando um humano, mesmo ela sabendo que também está sendo observada por ele, o indígena seria respeitado pela tribo, pois teria sido escolhido pela Coruja para guardar a tribo e seus segredos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

LUZ DO ENSINO

DE UMA VÃ MENTE
OS CONHECIMENTOS, COMO SEMENTES
BROTAM.
ATRAVÉS DA ESCRITA,
SINAIS DE LUZ, DO PAPEL AFLORAM.
OS MESMOS QUE, DA BOCA, INSTITIVAMENTE,
BRILHANTINCESSANTEMENTE
TRANSBORDAM...
DEIXANDO ESSA ANTIGA VÃ MENTE
COM UM NVO MUNDO:
O DA ESCRITA E  O DA LEITURA;
O DA CIÊNCIA E O DA SAPIÊNCIA.
UNIDOSE INSTIGADOS
EM COMUNHÃO
IRMANADOS
À LIBERTAÇÃO
DE UM ENSINO
SOCIALISTICAMENTE
LIBERTÁRIO,
SOLIDÁRIO
E DIFERENTE.

Comunicação dos Sentidos


Para se comunicar,
Basta apenas a diáfana sintonia 
Transmitida pela energia
De um olhar:
Profunda terna magia
Que tem o poder e a alegria
De criaturas encantar.

Para comunicar,
Um sorriso sincero, apenas, é capaz
De balbuciar
Palavras bêbadas e trêmulas de emoção,
Que revelam
A ansiedade e a paz
Dos pensamentos apaixonados
Que, de tão mudos, falam
E, de tão presos ao coração,
Fogem desesperados,
Para se encontrar...

Para comunicar:
Um abraço apertado
Que acelere as batidas do coração,
Um toque leve e carinhoso,
Um cheiro no pescoço,
Um aperto de mão,
Uma carícia tátil
Que revele a hora de amar
E que mostre como é frágil
Um ser apaixonado...

Para comunicar:
Olhar,
                       Envolver,
                                                Ouvir,
Abraçar,
                                                                                              Cheirar,
                                                                                                Viver,
                        Sorrir,
Amar!

domingo, 8 de agosto de 2010

Serena menina-moça

Serena menina-moça de profundo olhar
que o tempo amargo doce te faz
pura como a lágrima e singela como um sorriso
és reflexo de amores a amar
que o tempo de andanças por aí te traz
 repentinamente como um bravo corisco
teu olhos o oceano vem acariciar.

És Laurita, sertaneja de um lugar
 que te fez meigamente forte
para amigos, conhecidos e inimigos alegrar.

Isaías Ehrich 

APRESENTANDO-ME

Não sou muito de falar de mim mesmo. Por isso, pedi que algumas pessoas escrevessem algo sobre mim e elas toparam: Camões afirmou que eu deveria solicitar informações a Caminha, pois ele saberia fazer uma cartaa com mais habilidade e com mais riquezas de detalhes. Padre Anchieta quis catequizar-me e me fez um relato em Latim. Resolvi, então saber a opinião de Gregório, ele, com a sua boca infernal e a sua pena instigantemente voraz, retrucou, mas escreveu-me desaforos poéticos. Cláudio Manuel estava muito ocupado e pediu que eu falasse com outra pessoa. Indicou-me Álvares de Azevedo. Este estava tão envolvido em seus sentimenbtos que não tinha tempo, porém convidou-me para ir com ele até uma taverna onde poderia encontrar algum amigo que realizasse tal ação. Embriagado, não pode me indicar ninguém. Saí pelas ruas e encontrei Alencar, o qual rabiscou algumas coisas. Disse-me que tinha idéias socialistas e libertárias demais, por isso, solicitou o auxílio de Castro Alves. Passou-se o tempo e nada concluído. Resolvi pedir ajuda a Machado de Assis, que rapidamente se prontificou a escrever o meu perfil. Contudo, analisando com mais veemência, comparou-me a um Alienista que tinha um instito não puro, uma vez que havia namorado Capitu na adolescência. Antes de morar num Cortiço. Após isso, decepcionado, resolvi viajar ao exterior, já que o país estava em pé de guerra, conforme me relatou Euclides da Cunha.Retornei para auxiliar uns colegas que estavam bolando uma Semana de Artes, no Brasil.Mas eles não quiseram escrever meu perfil, disseram-me que era algo ultrapassado. Triste,já pensava em escrever, eu mesmo, o meu perfil. Para relaxar, fui assistir a um espetáculo teatral que uma amiga,Dora, estava participando. Lá ela me disse que sua amicíssima Raquel faria isso com o maior prazer. Chegando a Quixadá, Rachel preparou-me deliciosas guloseimas, conversou bastante comigo e fomos a uma reuinião partidária, enquanto ela relatava-me o assunto do seu novo livro: Caminhos de Pedras. Com um bom material escrito, ela pediu que eu o levasse para Cecília analisá-lo.Clarisse também pediu para analisá-lo, porém deixou-me mais confuso que G.H. Foi aí que lembrei-me de Drummond. Ele, com a sua maestria chamou Vinícius e Jobim os quais saíram para ver o que concluíam. Beberam um pouco no Leblon e nada fizeram.


Por isso, caros amigos, entendam o motivo de não ter nada demais sobre mim escrito no meu perfil.